quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Vazamento de óleo no Rio evidencia deficiência na legislação

Por Beto Moesch

O derramamento de ao menos 3 mil barris de óleo na Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro, iniciado no dia 7, mostra como a legislação e os licenciamentos ambientais no Brasil não são tão rígidos como se apregoa. A fiscalização, então, muito menos.

Ontem, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis suspendeu as atividades de perfuração da Chevron do Brasil Ltda. no território nacional até que sejam identificadas as causas e os responsáveis pelo vazamento do petróleo.

Contudo, essa deficiência só veio à tona em função da dimensão do dano. Entretanto, por causa da falta de rigor da legislação, acidentes de menor proporção ocorrem frequentemente País afora.

Enquanto o vazamento de óleo no Golfo do México, em 2010, considerado a maior catástrofe ambiental dos Estados Unidos, foi de 1.500 metros de profundidade, o do Rio é de 1.200 metros.

O desastre na Bacia de Campos serve para alertar acerca da corrida desesperada pelo pré-sal, que chegará a gerar poços de até 7 mil metros de profundidade, caso em que o potencial de danos é ainda muito maior. Existe tecnologia para extrair petróleo nessas profundidades, mas não para estancar possíveis vazamentos, principalmente a partir de dois mil metros.

Deveríamos encarar o pré-sal como uma reserva para as futuras gerações e priorizar outras fontes de energia, como a solar, a eólica, os biocombustíveis e a biomassa, que, aliás, geram muito mais empregos, são mais seguras e sustentáveis.

O mundo está, cada vez mais, deixando o petróleo, que é a energia do passado. O Brasil precisa se empenhar para corresponder a essa tendência.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Até logo, Até logo, companheiro!

Sierguéi Iessênin

Poeta russo (1895-1925)

Até logo, até logo, companheiro,
Guardo-te no meu peito e te asseguro:
O nosso afastamento passageiro
É sinal de um encontro no futuro

Adeus, amigo, sem mãos nem palavras.
Não faças um sobrolho pensativo.
Se morrer, nesta vida, não é novo,
Tampouco há novidade em estar vivo!


Tradução de Augusto de Campos

domingo, 13 de novembro de 2011

Até mais Chicão, até logo Hermano...

Sempre que alguém parte, ficamos a procurar, da pessoa que partiu, aquilo que ficou. Já se disse que a saudade é tudo aquilo que fica daquilo que não ficou. Pois o Chicão não está mais entre nós, e a saudade, então, já está fazendo a sua parte, que é esparramar por aí tudo aquilo que deve ficar, do amigo que não ficou. E não será pouca coisa. Talvez, dentre tudo o que fica, a amizade seja o que fica mais forte e perene, sentimento de todos aqueles que tiveram a oportunidade e o privilégio de conhecerem e conviverem com ele. Todos falamos no amigo Chicão. Mas ele mesmo não via aos amigos como amigos. O Chicão não tinha amigos, tinha irmãos! Bastava meia hora de conversa e já era irmão. E como deixa irmãos o Chicão!! Irmãos mais velhos, irmãos mais novos, irmãos da mesma idade dele, que com ele vinham desde a infância, irmãozinhos que ele foi fazendo pelos bairros que visitava e projetos que ajudou a criar. Uma das músicas de que ele gostava muito era "Los Hermanos", de Ataualpa Yupanqui, que diz "jo tengo tantos hermanos que no los puedo contar, en el valle, la montaña, en la pampa y en el mar". E assim era. Chicão tinha tantos amigos, em tantos lugares, que não os podia contar. Fica, então, de tudo o que foi, acima de tudo, a capacidade de cultivar amizades. Chicão vai muito cedo, sem dúvida, mas deixa muito de si em tudo o que realizou. Deixa marcas profundas na região e, principalmente, em Santiago, cidade que, sem qualquer demagogia, foi uma antes, e é outra depois do Chicão. Então, irmão, se a hora era agora, nada se pode fazer. Apenas dizer, como diz outra canção de que gostavas, " gracias a la vida", que te deu muito, mas a nós deu mais ainda, quando nos tornou teus "hermanos". Tenho certeza de que quem te acompanha agora não é aquela que te levou, mas sim "una hermana muy hermosa, que se llama Libertad"...

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